Eu não dou pra comunismo

sábado, 7 de fevereiro de 2009
Artesanato de Antonio de Castro

Ontem eu fui pra Maracangalha... de chapéu de palha.

Aqui no Rio, toda semana acontece uma festa alternativa que toca música genuinamente brasileira. A festa está decadente, mas ninguém me disse que estava ruim. E não estava.

Foi ótima. Música de melhor qualidade, bebidas geladas, contrastando com o cenário trash de sobrados abandonados no centro da cidade, imagens multicoloridas sendo projetadas em telão, alucinações.

Era aniversário de uma amiga que acabou não indo, mas estávamos lá, comemorando por ela. Dançando, rodando, suando no calor de mais de 40° que fazia entre as paredes velhas e descascadas. O ar só sentia quem se debruçava nas janelas, daquelas senhoriais, típicas dos sobrados cariocas, aqueles prédios que ninguém percebe quando passa todo dia para ir trabalhar.

Sobramos eu e mais duas amigas. Elas me levavam, sabendo da minha paixão por música brasileira, coisa recente. E a música foi apaixonante. Não fosse pelas companhias.

Descobri que sou mais careta que imaginava. Todos eram militantes do PSTU e PSOL, todos participaram da ocupação da reitoria da UERJ, todos voltavam de dois congressos, um na Bahia e o outro em Belém, todos contavam suas histórias extraordinárias sobre quilos de drogas.

Não é que eu seja terminantemente contra as drogas. Não sou, tanto que adoro essas minhas amigas que me levaram, mas não estou acostumado a estar em um lugar onde todos estão tendo alucinações e fumando e transando... sendo tropicalista e alternativo, sendo universitário.

E já é a segunda vez que insisto em sair com essas pessoas. Da primeira vez, fui parar na sede de um partido político, ao lado de pessoas que não conhecia, bebendo cerveja quente no gabinete do Chico Amaral.

Daquela vez já não me agradou, mas ainda tinha uma amiga para me salvar, uma que não estava ocupada contando quanto beck ainda restava para o resto da noite. Essa que ontem não foi. Ela já tinha percebido que aquilo não era para ela.

Demorou um pouco mais para eu aceitar que não sou super prafrentex... pelo menos não para algumas coisas. Posso até não ver problemas, andar junto e tudo mais. Respeito. O que não consigo é me reunir com pessoas cujo objetivo é isso.

Não vou mais sair com essa amiga para esse tipo de lugar. E lamento ter que procurar outro lugar para ouvir e dançar música de qualidade.

Ouvindo: Divino, Maravilhoso – Gal Costa

5 críticas:

Leo disse...

É... well.. não faço o tipo prafrentex tbm...
Até descobri que sou de direita! Quem diria...
Mas acho que vc não devia excluir alguém da sua vida só por suas convicções políticas ou por suas preferências por alucinógenos.
Sabe-se lá o que pode vir disso. Todo mundo tem algo a oferecer, não?
abs

Autor disse...

Eu sou careta mesmo.
Não curto e não gosto de drogas e evito quem curte.
Sabe a máxima de estar no lugar errado na hora errada com as pessoas erradas?
Então, morro de medo disso.

Candy disse...

So muito novo pra dar uma opinião sobre isso. Nunca frequentei um lugar do tipo e nem tenho amigos que usam drogas. Alguns fumam cigarros normais, mas não passa disso.
Acontece que eu também nunca procurei contato com pessoas assim e na verdade, creio que não me fazem falta.
Eu tenho que me cercar de pessoas com interesses em comum e que eu me sinta bem perto delas. Isso são verdadeiras amizades. Se você não gosta mesmo de sair pra esses lugares e não te agrada ficar na companhia delas, então não o faça.

Pense bem e siga seu coração. ;)

Fláh disse...

Meu beeeeem, que saudade de comentar aqui acredita?
ahsuahsua
Sempre que pude vim aqui ler, sabia?
Só nao comentava, ano de vestiba é dificil, mas volteeei.
:)
E sobre o post, acho que també não sou prafrentex viuu?
Amo muuuito musica brasileira, principalmente desses sambas melódicos, mas nao sou muito dessa de curtir uma viagem.
Respeito claro, mas não é do tipo com quem eu sairiaa.

Adoooro aquiii. \o/

Rodrigo disse...

Eu também não sou fã de drogas, mas por ironia do destino, eu sempre me afinei com os usuários, não sei porque, gosto de ser careta mas gosto dos lokaos.