Domingo de sol

quinta-feira, 5 de março de 2009
Artesanato de Antonio de Castro

O Monobloco foi uma droga, no domingo. Tudo o que disserem nos jornais, televisão e internet é mentira. Porque aquilo foi horrível. Muita gente, pouco espaço, péssimo som. Deu vontade de voltar pro carnaval da Região dos Lagos e ouvir funk no carro de som na orla da praia.

Minha intenção era conhecer um amigo de uma amiga. Um menino da faculdade que eu já conhecia de vista, mas que nunca tinha tido a oportunidade de conversar. E ele era gay, simpático e meu tipo. Bem, conheci-o. e logo de início ele veio falando do namoro dele e do futuro casamento.

Bastou a palavra namoro cortar o dia que meu telefone toca e eu atendo o telefonema do Catarinense-que-mora-no-Texas. Ele estava lá, querendo me encontrar. No meio daquela multidão.

E eu não desisti enquanto não o encontrei. Mais de meia hora depois, entre a Rua do Ouvidor e a Carioca.

Ele quis parar num lugar tranqüilo, quis conversar. Eu até gostei da idéia. Não agüentava mais aquela aglomeração e a música nem dava para ser escutada. Andamos até ficarmos sozinhos, sentamos num meio-fio e ele decidiu me contar a novidade.

Estava decidido: ele volta para o Brasil. Ele ia voltar para os Estados Unidos essa semana, ia ficar lá por umas três semanas para resolver as coisas e voltava para ficar, de vez, no Rio de Janeiro.

Ele disse que não conseguia mais se imaginar morando lá, que não se imaginava mais longe daqui. Que precisava voltar. Os pais dele apoiaram (sustentar ele aqui deve ser mais barato do que sustentar ele lá) e arranjaram um emprego numa agência de foto e filmagem de casamento e um apartamento que vaga no fim do mês.

E ele queria que eu morasse com ele nesse apartamento.

Nessa hora eu gelei. Eu não estava preparado. Um dia antes eu tinha contado a minha melhor amiga sobre ser gay e agora eu ia sair de casa para morar com um outro menino que eu nem conhecia.

Eu nem soube lhe dizer não, mas também não disse que sim. Falei que iria pensar e que quando ele voltasse e tudo estivesse certo nós conversaríamos sobre o assunto de novo.

De uma coisa ele fez questão: que eu não ficasse com ninguém nesse mês em que ele ficaria fora. Mal sabe ele que isso nem é sacrifício, que na minha vida, as coisas só acontecem em uma estação por ano.

Agora eu estou aflito. Ele vai morar no Brasil, no Rio de Janeiro. A gente vai namorar, eu vou me apaixonar e ele vai conhecer novas pessoas. Um carnaval é bem menos que um ano inteiro. E quando eu começar eu vou querer que dure o ano inteiro, a vida inteira.

Tenho medo de me machucar, de fazer tudo errado, de não estar preparado, estragar tudo. Tenho medo de ser trocado e a dor ser maior do que eu possa suportar. É só que ele parece tão lindo para mim.

6 críticas:

FOXX disse...

APROVEITE!
só digo isso

Leo disse...

Só não se machuca quem não tenta...
Se bem que.. pensando no meu histórico de vida... acho que até quem não tenta se machuca!
Moral da história? Estamos fadados ao sofrimento! hehe então aproveita as alegrias :p

Paul disse...

a vida e nossos medos...
deixe as coisas rolarem normalmente, ele voltar, e ver o q acontece!
cada chance é única!!

Mariana disse...

Uma coisa sempre foi certa na minha vida, sempre tentei não ter medo de nada, o medo faz com as coisas aconteçam, então esqueça esse medo bobo e se joga, e se for trocado, ele conhecer outras pessoas e bla bla bla...quem disse que nao pode acontecer o mesmo com vc? quem disse que nao pode conhecer outras pessoas, e trocar... pensa nisso!! bjooo

Klero disse...

da gaveta de conselhos clichês: melhor arrepender de ter feito!

Raphinha disse...

Como já disseram só não se machuca quem não tenta. Aproveite, a vida é uma roleta russa, pode dar certo assim como pode não dá.
Mas caso vc não tente vai ficar pra sempre pensando em como teira sido.

Quanto ao que vc perguntou.
Eu faço Ciências biológicas e por incrível que pareça tô dando enfase em genética e botânica.


Abraço e cuide-se.