Atentado

sexta-feira, 24 de julho de 2009
Artesanato de Antonio de Castro

Os meus passos me guiavam para casa depois de um longo dia de trabalho. Véspera de um encontro, eu estava inseguro e cansado. Inseguro com o que viria e cansado pelo que tinha se passado.

A noite, o calçadão, o vento frio dessas noites de julho no Rio de Janeiro.

“É, ele se assumiu!”
“É?”
“Aham, apareceu com um namoradinho, uma coisa ridícula!”
“Mas eu sempre desconfiei que ele era bicha! Pelo jeitinho dele mesmo.”
“Ele ainda disse que é bi!”
“Bi, é?!”

Risos, muito risos. A minha cabeça despencou do pescoço. As minhas costas ficaram duras e meus olhos se turvaram. Era efeito da bomba explodindo. Eu estava prevendo ali, na minha frente, o que seria dito uns dias depois. E aquela bomba que explodiria – fato – estava na minha mão, como sempre esteve. Mas agora ela estava em território de risco. São tantas fagulhas ao redor.

E eu não sinto mais falta do sereno. Nem do cheiro de canela com menta. Eu não sinto mais falta do ácido e do álcool. Vez ou outra bate a saudade das luzes. Eu pego minha lanterna e ilumino meu quarto. Seu rosto pisca nos meus olhos.

E quando me acostumo com a claridade, e consigo ver algo através do brilho multicolorido que me cega a íris, eu só vejo você indo embora. Para onde? Eu não sei. Nunca se sabe até onde pode ir. Nunca se sabe até onde abrir mão.

E minhas mãos continuam abertas, apontando na sua direção, esperando você vir. Eu nem sei quem você é, mas eu sei que eu te quero e que você valerá a pena. Você fará valer a pena.

Vai me aquecer, vai me tirar do chão, vai fazer isso passar e vai passar junto comigo. Através do brilho, várias pessoas passam, seremos como eles de mãos dadas. Eu colado, você calado, porque nosso espetáculo não precisa de som.

Basta eu imaginar você, basta eu ver a luz do dia, porque a noite não me é tão convidativa. Bombas que explodem à noite chamam menos atenção, matam menos pessoas, há menos propósito nisso tudo. A tática é usar o motivo, usar as pessoas acordadas e se aproveitar disso para largar a explosão.

As fagulhas vão atingir a todos, eu vou sair ferido até o último fio de cabelo. Você vai me curar, você será meu curativo. E o eco da bomba vai permanecer ativo, como a claridade a qual nos adaptamos. Meus olhos não piscam mais porque eu enxergo você.

“É, ele se assumiu...”

Ouvindo: Summertime – Janis Joplin

7 críticas:

Arsênico disse...

Uia... texto meio complexo... ou sou burro demais... consegui entender pouca coisa... mas achei lindo... tá saindo fumacinha da minha cabeça de tanto pensar... hahaha...

Mas eu acho que entendi...

Vamos fazer um estrago então honey... no meio dia... entre as pessoas... pra que o estrago seja enorme... estou precisando explodir minha bomba tb...

***

umBeijo!

FOXX disse...

"Uia... texto meio complexo... ou sou burro demais... consegui entender pouca coisa... mas achei lindo..." [²]

Rafaela Abreu disse...

Olha a vida tomando rumos...
Nem sempre se está preparado, não é verdade?


Que as fagulhas da sua bomba iluminem essa vazio tão grande!

Abraço.

Latinha disse...

Tem coisas que a gente não precisa entender, só sentir! ;-)

Abração!

A.M.B disse...

lindo

pareçe q andamos mesmo em sync neh!

:P

beijaoo!

Fabiano (LicoSp) disse...

"Uia... texto meio complexo... ou sou burro demais... consegui entender pouca coisa... mas achei lindo..." [3]

Creio que esta se iniciando um novo ciclo em sua vida, com muitas turbulencias, mas que com certeza será o melhor.

Desejo-te boa sorte qrido e aguardamos o desenrolar deste novo hiato.

bjs do Lico

Diego Yorkes disse...

eu amo a forma como as pessoas colhem seus sentimentos, colhem suas ervas daninhas.

texto singular como eu tanto gosto;
parabéns