Capítulo Três

segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Artesanato de Antonio de Castro

O cheiro era de laranja, tão cítrico e refrescante que dava vontade de morder as paredes de azulejo branco do vestiário masculino. O dia não estava tão refrescante assim do lado de fora daquele banheiro.
Estavam em junho, mas apesar disso fazia um calor infernal. Todo aquele calor fazia mal a Joaquim de um jeito que seus nervos ficavam a flor da pele por qualquer coisa boba que acontecesse.
A solução pra todo o estresse gerado pelo tempo quente que fazia seria um mergulho na piscina do prédio. O dia tinha sido de um sol grande e bem amarelo, sobre um céu azul e seco. Não se sentia um pingo de umidade que fosse no ar.
Depois desse longo dia, Joaquim decidiu descer até o centro esportivo no subsolo do prédio para a piscina. Não era um andar que costumava frequentar. Na verdade, só tinha estado alí duas vezes. A primeira fora há três meses atrás, quando conseguiu o estágio no jornal e a segunda quando tinha que encontrar seu chefe para a reunião numa de suas aulas de hidrginástica semanal.
Passou no vestiário, tirou a roupa e colocou uma roupa de banho que colocara no armário desde seu primeiro dia, mas que nunca tinha usado.
Ao sair do vestiário limpo e cheiroso, entrando no galpão escuro iluminado por lâmpadas fluorescentes fracas, Joaquim pôde se lembrar do recado de Dan de dias atrás e o quanto poderia ter perdido naquele dia no vestiário.
A piscina estava vazia, assim como todas as quadras. Esporte não deve ser o forte de jornalistas, pensou Joaquim, se molhando no chuveiro de beira de piscina.
A água estava fria, mas agradável devido ao calor que fazia. Mergulhou e ficou embaixo d'água mais tempo que o normal, sentindo o pressão que a água fazia sobre sua cabeça. Abriu os olhos debaixo d'água, como um penitência para suas retinas e deixou o cloro castigá-las um pouco.
Ao se levantar, deu de cara com Dan na arquibancada vazia. Pensou estar delirando e se conteve. Se policiou a para de pensar nele e naquela absurda hipótese que tinha levantado em relação seu colega de trabalho.
Mergulhou novamente e quando voltou lá estava ele.


O cabelo bem curto, cortado quase rente ao couro cabeludo, mas menos curto que o seu próprio cabelo, de uma cor clara como cerragem, cinza. O rosto fino e comprido, com o maxilar pretuberante, formando linhas quase quadradas na região inferior de seu rosto. Os olhos castanhos escuros e com cílios grossos, sob um nariz nem grande nem pequeno, nem fino nem grosso. A boca era rosa, como se tivessse maquiado-a, bem desenhada e grande, aberta num sorriso discreto. Um daqueles sorrisos estranhos que Dan vinha dando para Joaquim nos últimos dias.
Estava sentado na quinta fileira, vestia a roupa do trabalho, uma calça social cinza e uma camisa branca com as mangas enroladas e marcas de suor na barriga magra que ostentava.
Era alto, magro, esbelto, daqueles que qualquer roupa veste bem, ainda que não escolhesse muitas roupas bonitas. O sapato era simples, assim como todo resto, sem esbanjar em marcas boas e conhecidas. Só o típico, o previsível.
Foram cinco segundos que Joaquim ficou com a cabeça fora d'água, mas o suficiente para ver o quanto Dan estava atraente, para ver que seu sorriso na arquibancada com certeza queria dizer alguma coisa.
Mergulhou novamente e dessa vez o que sentiu foi um cheiro de laranja tão adociacado quanto era possível. Sentindo que estava sendo observado por Dan na arquibancada, através da superfície translúcida da água, Joaquim tomou o cuidado devido para parecer confortável nadando e levantou.
Saiu da piscina e foi para o vestiário pensando que já tinha nadado o suficiente. Pensando no quanto gostaria de sentir aquele cheiro de frutas cítricas e refrescantes.
O vestiário estava como o deixara. Suas roupas dobradas em cima de um banco de azulalejos azuis que combinavam com os armários. Foi naquela direção e se despiu.
Quando estava completamente nu, secando o cabelo, viu que pela porta de vai-vem entrava Dan.
- Oi.
- Oi.
- Um calor, não é? - perguntou Dan – Eu também estive pensando em dar um mergulho, mas esqueci minha roupa de banho.
- Pois é – disse e vestiu a cueca.
- Eu fiquei esperando você naquele dia.
- Me esperando? - perguntou fingindo não lembrar do bilhete no restaurante.
- É. Ainda bem que eu vi que você tava vindo pra cá hoje – e sorriu, mostrando dentes grandes e meio amarelos, mas ainda assim bonitos, fazendo com que parecesse real e não um artista de televisão.
- Por que?
- Tem uma coisa que eu preciso falar com você. - disse se aproximando enquanto Joaquim sentava no banco para colocar a meia.
Dan se sentou ao seu lado enquanto estava vestindo a calça e ficou alí calado, olhando-o de um modo que deixava Joaquim tão envergonhado quanto era possível.
- O que é que você quer falar comigo?
- Na verdade, não é nada demais – disse e Joaquim se encurvou para colocar o sapato.
Sentiu as mãos de Dan passarem por seus ombros e descerem pelos seu braços e se ergueu novamente. Estavam tão próximos que quase se beijavam, sentia agora o cheiro de laranja se misturar com o hálito quente de Dan.
- O que é que você tá fazendo? - Joaquim perguntou baixo, fechando os olhos.
- Nada.
As mãos desceram e caminharam por todo seu braço, alinhado ao lado do corpo de um modo que demonstrava o quanto estava de mãos atadas. Envolveram sua barriga e lhe abraçaram.
Joaquim virou-se de lado, afastando o rosto de Dan de seu próprio rosto, ainda de olhos fechados. Suas costas agora estavam viradas para Dan que não desistia, com as mãos descendo tão leves por seu corpo.
Sentiu, então um sopro quente na nuca e de repente lábios beijando levemente seu pescoço, deixando marcas do que estavam fazendo. Seu corpo estava tremendo dos pés a cabeça, seus pés não sentiam o chão, era como se o banco tivesse aumentado de altura, como se agora estivessem há três metros do chão e perto de laranjeiras maduras.
O cheiro, o toque das mãos de Dan, o silêncio, seus lábiois na nuca. Logo estavam de pé e só notou isso proque quase caíra quando sentiu as mãos de Dan entrando pelas calças ainda não abotoadas.
Toda a refrescância que sentira ao sair da piscina de repente tinha acabado. O que sentia agora era um calor, com medo, as mãos ainda presas ao corpo sem saber o que fazer.
Virou-se novamente de frente e sentiu o pênis de Dan excitado sob o tecido fino da calça e só o que pôde dizer foi uma interjeição do tipo “ah, meu Deus”. Percebeu então que seu pênis também estava enrigecido e que as mãos de Dan ainda o envolviam por bvaixo da calça.
Abriu os olhos e encontrou o rosto de Dan perto novamente, sorrindo, como se zombasse dele, como se tivesse enfim descoberto o que secretamente desejava.
- Eu tenho que ir – Joaquim disse e saiu carregando suas coisas na mão, a calça desabotoada, o organismo em plena excitação, o olfato sensível a laranja e sexo.

2 críticas:

Johnny M. disse...

Qualquer forma de amor vale a pena. Qualquer forma de amor valerá.

Patricia disse...

olah!!!
vi seu blog no orkut e resolvi dar uma olhada...
gostei do seu blog!!!hehehe....
dah uma passada no meu:
http://www.blogdapattyandrea.blogspot.com