Um dia melhor

quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Artesanato de Antonio de Castro

Meu dia não foi necessariamente maravilhoso, mas pelo menos não fui dormir pensando em como tudo tinha saído do meu controle nos últimos dias da minha vida.
Hoje eu me senti mais humano, diferente de ontem, que foi um dia muito ruim, algo que prefiro esquecer. Apesar de não ter acontecido nada de substancial, o dia de ontem foi algo realmente incômodo para mim.
Tão incômodo que não consegui nem mesmo ter disposição para entrar na internet e falar no blog de como eu me sentia infeliz.
Parecia que tudo estava se virando contra mim, acompanhando o caminho que meu amigo hetero vinha traçando, me ignorando e me tratando de uma maneira pouco gentil. A manhã já começou mal. Ele tinha combinado de me buscar para ir com ele de carro para o serviço, depois de uma viagem no dia anterior repleta de risadas, descritas no post das reconciliações.
Bem cedo lá estava eu, esperando-o sob as luzes dos postes que clareavam o dia que surgia ainda sem o sol. Esperei por alguns minutos, que valeriam a pena porque estaríamos mais uma vez só nós dois, no carro, no calor do carro, conversaríamos e riríamos até o caminho acabar e voltarmos para um dia de trabalho pontuado por visitas dele no meu setor. Seria o dia perfeito.
Mas o dia não foi muito perfeito, eu diria. Pelo contrário. Quando ele chegou, havia mais uma pessoa no carro, no lugar que eu ocupava todas as vezes que íamos juntos. Fomos apresentados, eu e esse rapaz, que era da sua família, e seguimos viagem em direção ao centro.
Silêncio. Muitos bocejos entediados da parte do motorista e incrível raiva minha. Raiva por ele não criar um assunto que pudesse envolver tanto a mim quanto ao seu parente. Raiva.
Depois de alguns minutos sozinho no banco de trás, esperando alguma palavra, decidi desistir e colocar o fone de ouvido. Não foram necessários mais que dois minutos para eu poder ver seus lábios se movendo e uma conversa entre eles surgir.
Meu pensamento variou entre duas hipóteses: tirar o fone e participar da conversa ou continuar como eu estava, escolhi a segunda opção.
Pode parecer pouco importante ou idiota da minha parte, mas fez diferença para mim. Foi o início de uma depressão que durou 24 horas difíceis. Me incomodou o resto do dia, tanto que precisei conversar com meus melhores amigos de lá, desabafar, sem claro deixar transparecer qualquer ciúme de minha parte.
Mas meus amigos pareciam não me entender, mesmo aqueles que tantas vezes ouvi e dei um ombro para chorar tristezas, esses amigos não me ouviram e, mais, me criticaram ao início da história.
Foi um dia de carência, onde tudo me dava motivos para chorar, onde qualquer olhar me parecia repreender. Não tinha amigos, voltava a completa falta de compreensão humana de anos atrás. Carência passou a ser meu segundo nome naquele dia. Sem amigos, sem ouvidos, sem ninguém.
Mas hoje eu fui determinado a ir de bem com a vida para o lugar que se transformara num dos piores por mim freqüentados. E fui, sorri para todos, fiz piadas e não deixei nada que acontecesse ou nenhuma falta de gentileza de meu amigo me magoar.
Quando ele se aproximou de mim, brinquei como não fazia há alguns dias, falei daquele meu jeito irônico e ele gostou. Voltamos juntos, conversando coisas sérias, sobre a sua namorada e se ele age de maneira correta com ela, porque afinal de contas não disputo com ela algo que não pode ser meu. Só espero que ele não me decepcione se mostrando um homem sem caráter.Espero ainda poder admirá-lo.
Falamos sobre mim, sobre como anda nossa amizade, ele falou de como lembra de mim e eu fiquei feliz, confesso.
Fiquei feliz porque eu realmente devia ser importante para ele, talvez tanto quanto ele era para mim. Encontrei-o há alguns minutos no msn e não senti raiva dele por ele ter me ignorado e não ter vindo me cumprimentar ao menos.
O dia já tinha sido muito bom para eu querer algo mais.

3 críticas:

myself disse...

Como assim "ninguém estivesse lendo" ?! Eu sou super assíduo no seu blog hehe...
Sou do rio nao, quem dera.
Sou de Vitória-ES, mas moro hj no int. de Minas

huddY disse...

nuss profundo o seu blog!
curti ele!!
;)

A.azul disse...

pois é.. tenho sim, ele é que nao sabe! hehehe
pelo menos a minha situação nao está tão complicada como a sua, mas eu sei o quanto deve estar dificil aí. boa sorte tbm!