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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Artesanato de Antonio de Castro

Dias estranhos. Seguido do resultado da UERJ, me dando certeza de que eu estaria devidamente ocupado por mais longos seis anos no exercício da Engenharia Química, minha grande descoberta com a experiência restrita da vida que tive, vieram dias realmente estranhos.

No sábado, fui para o pré-carnaval aqui no Rio. Perdi o celular no meio da multidão, mas me diverti muito depois. Já tinha perdido o celular, não ia perder o meu dia. Bebi um pouco mais do que de costume, coisas diferentes e fiquei falando mais e mais rápido do que normalmente.

Na terça-feira fui fazer a matrícula na universidade e logo depois tirei o dia de folga, fiquei em casa, na internet, decidido a conversar com pessoas novas e conhecer histórias interessantes. Nada melhor do que antiga sala de bate-papo para isso.

Conheci um menino. Mora perto da minha casa, há seis quadras. Eu queria só conversar, fazer amizade, bater papo literalmente e se rolasse alguma coisa com o tempo marcar um encontro. Ir com calma. Ele queria transar.

O rapaz tem 26 anos, trabalha de bar tender e garçom em eventos diversos. Mora com um amigo, gay também, só que passivo, com quem ele diz não ter nada, só amizade mesmo, amigos-irmãos, como ele mesmo descreveu. Eu não estava ali para julgar nem desconfiar de ninguém, acreditei.

Mas o fato de ele já querer transar, dizer que estava com o pau duro só em ver minhas fotos e tudo mais me assustou, assim como o fato de ele querer marcar o primeiro encontro na casa dele, mas a vontade era tanta que eu estava disposto.

Ele me deu seu telefone, eu não podia dar o meu porque havia sido roubado. O número dele na verdade não era dele e sim do amigo passivo, o dele também havia sido roubado. Isso foi convincente porque ele falou antes de mim.

Marcamos na quarta-feira, na estação de metrô próxima a minha casa, às sete da noite, quando eu chegasse do serviço. Na quarta-feira, a tarde, como ele me instruíra, liguei para o numero de celular, quem atendeu foi o tal amigo, como esperado.

Pedi para falar com ele, ele foi seco. Desliguei e corri para contar para alguém. Precisava me abrir. Estava com medo, medo de acontecer alguma coisa, de ser uma armadilha, sei lá, um seqüestro, uma dessas coisas que a gente lê no jornal todo dia que acontece em encontros marcados na internet, uma emboscada.

Entretanto, a tentação era maior. A vontade. Os hormônios falavam mais alto que a razão. Contei tudo para minha melhor amiga no serviço, depois para mais um amigo. Quer dizer nem tudo. Contei da maneira que me convinha, ou seja, substituindo o homem por uma mulher.

Todos acharam um absurdo. Enfim, eu também acho isso um absurdo, mas as pessoas cometem absurdos, só eu não. Só eu não faço nada arriscado, nada que possa me causar problemas, nunca. Eu sempre me nego a correr riscos e dessa vez seria diferente. Justo dessa vez, que o risco poderia ser bem maior.

Liguei de novo mais tarde, uma hora antes do combinado. O amigo atendeu de novo e disse que não poderia passar para ele, que ele não estava ali. Entrei no msn, perguntei por que ele fora seco no telefone mais cedo, ele disse que estava acompanhado, mas conversou normalmente. Estava tudo de pé.

Às sete eu estava no local marcado. Às sete e quinze também, sete e meia, sete e quarenta e cinco. Tantas pessoas chegaram, tantas foram embora, tantas se encontraram. Bonitas, feias. Brancas, negras. De todos os tipos, menos ele.

Voltei para casa sete e quarenta e cinco com um sentimento de frustração do tamanho da Groelândia. Entrei no msn, ele estava on. Comecei brigando, ele disse que não era ele e sim o amigo passivo. Pedi desculpa e saí.

Meia hora depois ele veio me dizer que estava me esperando no metrô até aquela hora, que não entendia por que eu não tinha aparecido. Eu agi como se fosse mentira. Ele insistiu que estava me esperando, pediu desculpas e etc.

Ficamos conversando o resto da noite, gostei ainda mais dele, trocamos mais fotos, orkuts. Marcamos mais um encontro, depois desmarcamos e deixamos rolar. Ele perguntou se eu fumava, eu falei que não. Ele ficou feliz, disse que não saía com fumantes, uma alívio para mim. Sinal de que ele também não fumava.

Daí ele me respondeu que só fumava maconha e a preocupação tomou conta de mim. Depois ele desmentiu e até agora não sei se acredito nele ou não. Ele queria marcar aquela hora, mas eu recusei, queria muito encontrar ele, sentir o cheiro dele e fazer uma loucura, mas achava melhor não. Seria melhor se a gente continuasse assim, conversando e depois de um tempo se encontrar.

Quando a intimidade seria tanta que o sexo fluiria de maneira natural.

Fui dormir com a certeza de que hoje encontraria ele de novo. Ele está on-line no momento, mas não me responde, como se simplesmente seu navegador não apitasse toda vez que eu escrevo algo e não despertasse aquela cor alaranjada de costume.

Além disso, conversei com meu ex namorado sobre o casinho dele com o outro menino, conversei sobre tudo que me afligia que até agora não sei o que é. Fui sincero, sem saber se ele não já tinha lido tudo aquilo que eu estava falando para ele no blog. Nunca vou saber se ele ainda lê o que eu posto aqui, nunca, e isso é melhor.

Ele disse que não tinha saído com nosso colega corajoso, eu nem sei se acreditei ou não, mas por puro egoísmo que nem acredito que é meu, fiquei feliz quando ele me disse que ainda me amava, mesmo sabendo que não vou poder retribuir isso que ele sente por mim, mesmo estando procurando outra pessoa na internet, só para atrasar o lado dele.

Coisas sobre mim que são incompreensíveis, eu acho tudo isso errado, mas não consigo deixar de fazer.

10 críticas:

Nadezhda disse...

Uma história e tanto!

Eu nunca marquei para encontrar pessoas que eu não tinha um 'conhecimento' prévio. As coisas são complicadas mesmo, você sente aquele 'medo' de ser algo errado, de ser mentira.

Mas como você mesmo disso, espere um pouco, aí vocês marcam algo ;)

Vivendo em Kauan disse...

oi, mto bom seu blog ^^

Eu já marquei d encontrar alguem q conheci a net, o mesmo medo q vc sentiu eu tbm senti. Embora com uma diferença, a pessoa nao queria só sexo e nem eu... era pra ter dado certo, mas depois do encontro por N motivos nao deu.

O negocio é deixar rolar, medo aparece em varias situações, o jeito é saber lidar com ele.

Abraços e boa sorte.

voltarei sempre ^^

Menina da lua disse...

Oi Pequeno Diabo, fiquei muito feliz de ter encontrado o seu blog.
Q sensibilidade em escrever... escrever o q tantos escondem por não 'ser certo' -rsrs-, o q eu acho uma agde bobagem, afinal quem viu Deus e perguntou, ñ é mesmo?!
Ótimo blog, rapaz, ótimo mesmo.

Abraço e espero por sua visita em meu blog.

Fui

Menina da lua disse...

Ah, q bom q vc foi me visitar.
pode ter certeza de q sempre aparecerei po aq.

Abraço!

Talvez eu conte... um dia. disse...

Você é muito corajoso, continue assim... procurando tua felicidade! Mas tenha sempre cuidado, a internet nem sempre é total verdadeira! Agora é so esperar... manter mais contato, conseguir mais informaçoes eeeee... aproveitar né? use camisinha, hahaahaha

É a segunda vez que apareço aqui, e a 2º q eu gosto! Continuarei te "acompanhando"! hahahahah

Ah, nao podeira esquecer: Parabens pelo Vest! E boa sorte na facul!
Beijo

Kamilla Barcelos disse...

Parabéns pelo vestibular!

Eu acho um pouquinho perigoso encontrar com pessoas da net. Mas como vc mesmo diz, as vezes a gente faz coisas absurdas, não tem como julgar ninguém.
Mas seus últimos dias foram pura adrenalina!!
Estou torcendo q dê tudo certo na sua vida amorosa!!

Mtooooooooo obrigada novamente pelo selo. Vim agora retribuir a vc agora!Como vc está linkado no meu blog lá tem mais dois selos de presente p/ vc!! Pode ficar à vontade p/ pegar lá, tá?

Beijãoooooooo

Talvez eu conte... um dia. disse...

Oi Pequeno, são sim as imagens de lá... tudo lindo né? Vale a pena conferir quando tiveres oportunidade.
Eu aproveitei na medida do possivel... tenho que gerar um post com todos os detalhinhos!
E vc? como andam as conversas?
Beeijo

Fláh disse...

Bem, se o texto lá fosse verdade, ficaria muito feliz com seu comentário, porem ele não é real não, é um texto pra pauta da revista capricho, o tema era: se meu namorado me trocasse por ele.

:)

As vezes é bom mudar msmoo,
mas vai com calma hein? ninguém sabe.

Fláh disse...

esqueci de responder,
so do rio nãão.

Fláh disse...

Ahhhh como se me chama de loooca.
ahushausa

Huu aaah se tem razão, a Preta tem que se defender sim, mas como não gosto dela. auyshaushau

Beeem o trote? é que entrei pra revista lá sabe?
ai o troste é fazer uns textos nada a vê.
Só que o meu combino. ahahah

:)