Filmografia

segunda-feira, 21 de abril de 2008
Artesanato de Antonio de Castro

Ontem li um post muito interessante sobre filmes igualmente interessantes. O primeiro filme era Notas Sobre um Escândalo, com Judi Dench e Cate Blanchet. Um filme maravilhoso que me emociona e me pega pela realidade com que as coisas acontecem. Depois o autor do post fez uma ponte entre esse filme e uma outra belíssima obra do cinema moderno, O Talentoso Ripley.

De repente me lembrei o quanto me identifico com Tom, o quanto sem querer amo mais as pessoas do que posso amar e acabo por cobrar esse amor em troca, em termos de grandeza, sem poder cobrar.

Percebi o quanto meu caminho de vida segue para algo próximo ao que aquele belo personagem criado por Anthony Minghella e Patrícia Highsmith e interpretado por Matt Damon traça no decorrer do filme.

Revi o filem hoje, pela manhã. E chorei mais uma vez na cena da ópera, junto com Tom. Chorei pelo mesmo motivo que sempre choro, há nove anos, em todas as vezes que assisto ao filme. Entendo Tom Ripley, como não me entendo.

Sei o quanto foi doloroso para ele fazer o que fez à pessoa que mais amou pelo simples fato de que não era amado em troca do mesmo tamanho. Sei o quanto é doloroso saber que o amor não é recíproco e no fundo aceitar isso porque afinal de contas tudo não passa de ilusão sua. Ilusão que você criou sabendo que estava criando.

Comecei a relembrar toda a minha trajetória emocional até hoje. Algo limitado, levando-se em consideração meus tão poucos 18 anos e minha dedicação quase que integral aos estudos.

Tenho consciência de que vivi pouco, de que tenho ainda muito o que viver, e é isso que me assusta. Pois se o que vivi não é nada se comparado ao que ainda vem pela frente com os anos, o que será que me aguarda? Qual o tamanho dos problemas e das frustrações que me esperam nos meus anos seguintes?

Me assusta saber que amar profundamente o menino que amei durante meu Ensino Médio e o ódio que senti dele com as coisas que ele me fez passar em seguida não são nada se comparados ao que ainda vou amar e ao que ainda vou sentir ódio. Me assusta porque não sei se vou agüentar, não sei se algum dia vou estar pronto para isso.

No fundo eu sei que para sempre vai ser assim. Vou me apaixonar perdidamente pelo primeiro homem que me ouvir e que for carinhos, vou evitar pensar nisso por um tempo porque sei que ele é heterossexual e depois vou sentir ciúmes, vou ficar com raiva quando ele não for um cavalheiro e vou cobrar dele sempre um sorriso amigável de boas-vindas, como uma namorada cobra de um namorado, como uma adolescente.

Tenho certeza disso hoje, quando analiso minha relação com meu amigo hetero, cada vez mais forte, como os abraços que ele me dá. Abraços que eu sinto cada vez que fecho os olhos.

Posso estar agindo de maneira errada com ele, que já me perguntou várias vezes se eu era gay. E eu menti. Como sempre. Mas senti seus abraços. Fortes. E senti seu cheiro, guardando ele comigo para sempre. Não sei se por paixão, ou se por amizade. No fundo, sei que há amizade. Me preocupo com ele e sua felicidade tem sido minha felicidade. Mesmo que seja com sua namorada. Mas há mais que isso.

Há mais porque quando eu lhe peço um chocolate, brincando e chego do almoço e encontro o chocolate na minha mesa, imagino coisas, surreais. Há mais porque toda vez que ele me chama para ir pro trabalho com ele de carro é como se fosse um convite, porque quando ele me pede para ligar, eu penso nisso o dia inteiro e nunca esqueço. E quando eu ligo, sua voz entrega que ele nem lembrava que havia pedido para eu fazer-lhe a ligação.

Mas sei que isso vai passar. Sei que vai ser mais um amigo hetero por quem vou e apaixonar, odiar e me apaixonar novamente e odiar novamente, como todo mundo que tem lido minhas histórias sabe que vem, acontecendo.

Sei que depois dele virão outros. E é isso que me assusta, porque hoje pode ser só uma historinha boba de moleque, mas com o tempo os sentimentos vão se intensificando, e provavelmente minha loucura também. Essa loucura sob a qual não tenho controle.

Tenho medo de acabar como Tom Ripley. Louco, querendo ser outra pessoa e idealizando pessoas e relacionamentos em minha mente. Idealizando fatos e realmente acreditando que o que se passa em minha cabeça é real.

Pode ser só um delírio, um medo bobo, um temor sem fundamento. Afinal de contas, se trata de um filme e eu nem tenho tendências assassinas. Mas eu minto. Como menti para o meu amigo hetero todas as vezes em que tive a oportunidade de dizer a verdade. Menti e minto quantas vezes for preciso.

Citação:
http://doarmario.blogspot.com/ - Blog do Leo

8 críticas:

Talvez eu conte... um dia. disse...

A vida é assim mesmo... essas nao foram as primeiras e nem serão as últim vezes que você amor, que você sofreu...
Mas independente de qualquer coisa, nós devemos sempre viver com sinceridade! Nada de pequenas mentirinhas... porque um dia, acredite, eu sei por experiência própria... isso acaba voltando contra a gente!

Mas eu ameeeeeeeei a cra nova! Ficou linda!

beeijo

Nadezhda disse...

Achei que tivesse abandonado o blog! Ainda bem que não, porque eu gosto daqui.

Adorei seu post. Eu às vezes gosto tanto de um filme, por me identificar mesmo, que choro todas as vezes que assito, e às vezes até me confundo com a personagem.

E sinto quase o emsmo que você em relação à esse filme.

;)

Liz / Falando de tudo! disse...

Estou passando na tentativa de conhecer novos blogueiros, pois adoro visitas de pessoas diversas, principalmente gosto de opiniões diferentes sobre meu blog, venha me visitar, quem sabe a gente não fica trocando comentarios, não é mesmo?
Um abraço!

PsYsApIeNs³ disse...

blogblogs.com.br/tag/layout
blogs.com.br/sitesuteis/templates.php

Duas leituras indispensáveis.

Jarbas disse...

valeu pela visita no meu blog;
tudo muito legal aqui.

abraços.

Isaa Romero disse...

Ooooo deu certoo?
que emoçãããoo, ja tava pensando no que fazer agora.

ahshau

Ta lindoooo. ;P

Ahhh to com pressinha, nao vai da pra ler o texto. :/

Tenho prova daqui a poco, melhor estuda né?

:)

Mas eu volto, e ve se nao some desta vez do blog hein?

Leo disse...

Ai kra, é impressionante como nossas histórias são parecidas. A minha tá um capítulo a frente, pois já contei pra ele que sou gay, que gosto dele. E eu queria dizer pra você que melhora. Mas ao menos pra mim não melhorou não. Nos afastamos e voltamos. Mas ainda fantasio com ele. Ainda é com ele que eu quero me relacionar. A ele que eu quero abraçar.
Mas quando você diz que sabe que vai ser assim denovo, eu não sei se concordo. Ao menos não quero concordar. Tenho esperança que ainda vou encontrar um cara legal, que que me ame como eu mereço. Não quero me apaixonar por outro hétero. E tenho tentado me proteger, na medida do possível, para não deixar isso acontecer denovo.
Grande abraço!
Adorei o layout novo :P

Râzi disse...

Bom, a gente se apaixona, desapaixona e assim vai a vida!

Mas vai chegar um dia que isso vai ser diferente! Ai vc vai perceber, depois de anos com aquela pessoa, que realmente era a certa! :D

Me ajudaaaaa!!!

Esse template foi feito no estilo antigo,digo, HTML ou vc usou as funcionalidades do Blogger???

Beijão!