Bartender

sábado, 19 de setembro de 2009
Artesanato de Antonio de Castro

Do the D A N C E.

Eu tomei banho e fui pra noitada. Minha amiga lembrou de mim e quis repetir a “glória” da última noitada comigo. The Week de novo, VIP de novo, bancado de novo, mas agora eu entrei de graça!

Cheguei agora, meu pé está em frangalhos e minha mente tentando achar uma maneira de ficar a tarde inteira andando pra cima e pra baixo pelos pavilhões da Bienal do Livro. Minha mente nem funciona direito.

Confesso que é resto de vodka e energético. Confesso que são as luzes que ainda piscam na minha retina. A música que zune no meu ouvido.

A festa foi como a anterior, hetero. Cheia de gente bonita, cheia de gente rica, cheia de burguesia. Sem espaço para um tijucano sequer. Enquanto eu ia para o Centro da Cidade refazia os principais momentos da festa anterior.

Não era preciso esforço algum para relembrar do bartender. Foi preciso esforço para conter a apreensão de talvez encontrá-lo lá novamente. Dito e feito. Lá pelas três da madrugada, encontro o dito cujo.

– Oi – eu disse.
– Oi.
– Lembra de mim?
– Aham – entregou uma cerveja ao menino do lado – O menino da história do Renato Russo.
– Não acredito que você só lembra da historia do Renato Russo – disse com a minha maior cara-de-pau.
Ele riu.
– Me dá uma água – pedi, estendendo meu vale.
– Sóbrio hoje? – perguntou.
– Ainda – menti.

Sorri, peguei minha água e fiquei ali olhando ele trabalhar. Amaldiçoando todas as pessoas que vinham ocupá-lo. E logo depois amaldiçoando a mim mesmo por achar que tinha direito a um papo furado com ele. Achar que merecia mais, quem sabe um encontro, quem sabe um namoro.

Afastei a idéia de namoro. Há muito tempo ela não vinha na minha cabeça. Eu estava bem. Ele pediu pra eu esperar ele e disse que seu nome era Marcelo.

Hoje eu percebi que ele tinha uma barriguinha sexy, uma marca de cicatriz na mão e usava piercing na orelha, daqueles que é uma bolinha na bolinha da orelha. Hoje o uniforme era vermelho na área VIP, o que transformava ele mais ainda num bartender.

Perguntei por que ele queria que eu esperasse. Ele disse que não ia se aproveitar de mim hoje, que eu poderia ficar tranqüilo, ele só se aproveitava de almas perdidas tomadas pelo álcool, tipo os que estão prestes a cair no chão de tão bêbados.

Eu sorri sem-graça e esperei, bebendo minha água. Minha amiga chegou e perguntou por que eu não estava lá embaixo na pista que fervia. Eu comecei a enrolar e acho que ele percebeu.

De onde ele estava ele disse uma sequência de números (seu celular), a palavra ‘Vaz Lobo’ (seu bairro), e as palavras ‘Professor de inglês’ (sua real profissão).

– Ok – eu respondi e fui embora com minha amiga.

São 07:02 da manhã. Meu celular está aqui, na minha frente, com a página do seu número aberta. Pensando se devo ligar ou se devo seguir adiante e evitar mais uma tentativa, mais um “Potencial Namorado”.

Desci, dancei, bebi e vim embora.

Ouvindo: D A N C E - Justice

8 críticas:

Arsênico disse...

ãim... to chocado contigo... o que custa tentar?... vc já disse que nÓn pensa mais em namoro neáh?... entÓn vá com a espectativa de uma boa ficada apenas...

Quero saber depois!

***

umBeijo!

***

Pollyanna disse...

Olha, eu nao ligaria!
Se fosse voce, iria la de novo qq tempo desse e veria qual eh... se ele fala contigo, se dar atencao, ah sei la
mas nao ligaria nao....

beiijos Pequeno liiindo

Leandro K. disse...

vai soar clichê (deve ser coisa do meu blog), mas é melhor arrepender-se de ter feito...

Paul disse...

E não subiu de novo pq? foi embora assim, sem nem dar uma confirmada nos fatos?

e eu tb nunca sei se ligo ou não ligo, q dúvida!! mas sempre mando uma mensagem, q não dói! se respoder ou ligar de volta, ótimo! se não, é seguir em frente.

Mauri Boffil disse...

liga, liga, liga, liga, liga, liga!

Latinha disse...

Como diriam os advogados... na dúvida o benefício é do réu! (in dubio pro reu)
;-)

Boa semana!

FOXX disse...

as 7 da manha?
isso é hora de ligar pra alguém?
vai dormir!

Na Cama Com Eles... disse...

Minha primeira vez por aqui. Gamei... rs

Penso: Se ele não quisesse que vc ligasse, não teria lhe passado o telefone. Melhor sofrer pelo acontecido, do que pelo que nunca aconteceu...